Foto: Dainis Graveris/Unsplash

Não importa se você é solteiro, tem um date fixo, é casado (no sentido monogâmico da palavra) ou está engajado em qualquer outra forma de relacionamento: certamente, sua vida sexual foi afetada pelo novo coronavírus. Na era da pandemia, as regras do distanciamento social impuseram limites ao sexo ao mesmo tempo em que criaram novas oportunidades.

Uma pesquisa online batizada de “Sexo e Relacionamentos em Tempos de COVID-19”, feita com 1.559 adultos americanos, questionou o impacto do isolamento sob os lençóis. Os resultados refletem muito do que acontece por aqui também: enquanto quase metade dos entrevistados, casados na maioria, relatou queda (triste!) na qualidade e na quantidade de sua vida sexual, um em cada cinco participantes revelou que está expandindo seu repertório na cama – o que inclui recursos com ares de novidades. Entre eles, o sexting (mensagens de texto com conteúdo caliente), experimentar novas posições e compartilhar fantasias sexuais.

Embora casais que vivem juntos possam fazer o tanto de sexo que quiserem sem quebrar as regras do distanciamento social, o declínio mostrado no levantamento pode estar relacionado ao estresse das incertezas do momento, um dos principais vilões da libido.

Por outro lado, a pesquisa revelou que pessoas mais jovens, que moram sozinhas e se dizem estressadas e solitárias na pandemia, são mais propensas a tentar coisas novas. Outros estudos já haviam relatado mudanças no comportamento sexual de uma maneira geral. Houve um claro aumento nas buscas por pornografia online, downloads de aplicativos de namoro e postagens eróticas nas redes sociais – fora a chuva de nudes por aí.

Tela Preta

Há até uma nova onda de apps de áudio adulto, provando que a literatura erótica conquistou seu espaço na Internet. Lançada em abril do ano passado, a plataforma Tela Preta de áudios eróticos já contabiliza milhares de assinaturas. “Muitas mulheres héteros, entre 20 e 50 anos, relatam terem conseguido alcançar os melhores orgasmos de suas vidas através dos áudios”, conta Fabio Chap, criador do Tela.

Segundo a psicóloga e sexóloga Ana Canosa, “é preciso alimentar o desejo, e as fantasias sexuais são as ferramentas lúdicas para isso.” Uma evidência clara de que atividades online e solo podem ser usadas para preencher a sensação de vazio. Absorver a tecnologia pró-sexo neste ritmo acelerado sugere, segundo especialistas, que estamos no meio de uma verdadeira revolução sexual, que pode mudar para sempre a forma como encaramos – e até praticamos – o sexo em nossas vidas.

OnlyFans

Foto: Dainis Graveris/Unsplash

Para citar um exemplo bem próximo a nós, brasileiros, ninguém representa melhor essa liberdade revolucionária de desejos do que Anitta – que se liberou ainda mais na pandemia. As aparições da cantora quase sempre envolvem sua intimidade aberta, segredos picantes e preferências sem pudores. Recentemente, ela aderiu ao OnlyFans, plataforma que permite que os usuários cobrem pelo acesso às suas publicações. E, claro, os conteúdos de maior sucesso são justamente os adultos.

Desde a chegada da pandemia do novo coronavírus, algumas celebridades criaram suas contas ali, durante a quarentena, como é o caso da multiartista Bella Thorne, a principal estrela da rede. Como elas, muita gente se rendeu a essa tecnologia, uma atitude clara de liberdade sexual.

Sex toys

Estaríamos todos nós mais abertos a novas aventuras no campo dos desejos? Aparentemente sim, respondem os especialistas ouvidos por Bazaar. Nesses momentos de transição é que ocorrem as grandes reviravoltas comportamentais, como a revolução sexual dos anos 1960. Se a vida na cama vive um processo de mudança, nossas necessidades mudaram com ela.

Não é aleatório o aumento das vendas dos sex toys, como vibradores e outros acessórios, que aqueceram ainda mais a indústria do wellness sexual. Isso porque, em um momento como o que vivemos, os benefícios do sexo para a saúde mental são mais do que bem-vindos. “Colocamos como prioridade tudo aquilo que damos valor e o sexo precisa estar nesta lista da nossa vida, porque além de toda liberação de hormônios do prazer, do amor e da felicidade, o sexo aproxima o casal, alivia crises de enxaqueca, fortalece os ossos, combate a incontinência urinária, melhora o aspecto da pele, alivia o estresse e a ansiedade, emagrece e aumenta a imunidade”, ressalta a sexóloga Gabriela Dias.

Há, ainda, uma outra e não menos significativa mudança que ocorre em paralelo à, digamos, maior curiosidade sexual dos novos tempos – a cultura dos corpos livres. Quanto mais nos expomos e vemos outros corpos nus (de forma não sexualizada, claro), mais aprendemos a enxergar o outro além da forma física.

Estar acostumado a ver pessoas nuas é um caminho importante para aprender a não dar muita importância às aparências, um traçado sem volta em direção à aceitação da diversidade de corpos. E, assim, corremos atrás da vida sexual pós-pandêmica ideal, que, para nossa sorte, nos acena bem de perto. Livre, democrática, inclusiva e muito mais prazerosa.